Renan Calheiros começa a apequenar-se
Com o fim do mandato de presidente do Senado se aproximando, Renan Calheiros vê a sua influência política derreter entre os dedos
Rei morto, rei posto. Essa é uma das máximas da vida mais certas que existem, Tanto como a morte. e é exatamente isso que vem acontecendo com o presidente do Senado, Renan Calheiros. O senador por Alagoas tem sido um dos mais influentes políticos dos últimos anos. Figura importante nos governos Lula, Dilma e Temer.
Porém esse período de glória parece estar chegando ao fim. Com o término de seu período à frente do Senado em 1º de fevereiro, a sensação do poder escapando-lhe por entre os dedos já se faz presente. Seu mandato na presidência do Senado já acabou na prática, com o início do recesso. Do tradicional cafezinho servido frio aos telefonemas não atendidos e pedidos ignorados, Calheiros, tem passado por tudo isso.
Para piorar sua situação, não conseguiu promover um diplomata que o assessora. Um fato corriqueiro visto que o diplomata que assessora o Presidente do Senado é sempre promovido na carreira. Renan pediu, mas o chanceler José Serra alegou “outros compromissos” e não atendeu ao pedido. Das cinco vagas para embaixador, duas atenderam perseguidos na era PT, uma para o porta-voz de Temer, outra para um protegido de Maia. A vaga que seria destinada ao pedido de Renan, porém, continua aberta.
Quem acompanha a política sabe que o Serra não tem tato nenhum, e por isso nunca será Presidente da República. O que é que tem a ver o diplomata, que é servidor de carreira e assessora ao cargo e não a pessoa? Isso só se justificaria se o Diplomata tivesse praticado um ato que o desqualificasse. Como nada nesse sentido foi divulgado, deveria ter-se cumprido as formalidades tradicionais.
O chanceler, e virtual candidato por qualquer partido que lhe dê legenda, arrumou dois adversários sem necessidade nenhuma. Com uma Frase o Senador Antonio Carlos Magalhães arrebentou com a campanha do Serra para sucessão de FHC. Agora só o tempo dirá. Esta atitude nos lembra os escritos atribuídos a Epitácio Pessoa que disse: Rui Barbosa, políticamente, é analfabeto.
Aquele que hoje já tratado e tido com "ex-presidente do Senado" morre politicamente um pouco mais a cada dia. Mesmo entre seus pares é tido como um dos políticos mais arrogantes, corruptos e repugnantes que esse país já conheceu. As suas costas não são poucos os que falam que está chegando o momento dele curvar-se à Justiça que ele tanto, vem desafiando. Dizem que com a continuidade da operação Lava Jato, cadeia será pouco para ele.
O fritura político/policial de Renan pode estar em fogo brando no momento. Mas aproxima-se dele um doloroso epílogo. Provavelmente, será rifado e escrachado tão logo desocupe a presidência do Senado. Ou talvez, não. O senador Renan Calheiros já provou ter uma alta capacidade de se reinventar. Tanto que tem sido constantemente eleito pelo povo do estado de Alagoas desde 1982. A cada queda, parece ressurgir com mais vigor e desembaraço.
Para a grande maioria dos brasileiros, porém, Renan tem de ser tratado como bandido. Que se não fosse pelo Supremo, ele já estaria em algum presídio de Alagoas, Coritiba, ou mesmo Brasília. Que a Suprema Corte parece proteger certas figuras. Tudo em nome da ampla defesa, devido processo legal e, diz-se, da auto-proteção.


